01/05/2017

Turismo Sustentável

A ONU aprovou no final de 2015 uma resolução que declara 2017 como o ano do turismo sustentável. O tema parece não ter causado muito debate e aparentemente passou quase despercebido. Forão todavia feitos esforços para o divulgar e exemplos desta campanha estão neste endereço

Por cá realizam-se três eventos:
- concurso de fotografia com sede em Lamego
- debates e conferências pela UTAD
- uma conferencia internacional em Lagos sobre sustentabilidade

Julgo que todos são meritórios e só pecam por escassos. Contudo era importante que o tema da sustentabilidade ambiental no turismo fosse alargado aquilo que se está a passar nas áreas urbanas. Poucos debatem a sustentabilidade ambiental relativa aos aspectos seguintes:

- Mobilidade nas cidades 
São evidentes as consequências dos motores de combustão dos autocarros turísticos, shuttles e transportes privados sobre os centros das cidades e a qualidade do ar. O transporte de chegada dos turistas tão pouco é tema de reflexão.

- Afastamento das populações autóctones
Os centros urbanos e rurais têm uma dimensão finita. Como tal a quantidade de turistas não pode crescer indefinidamente sob pena de destruição da própria identidade cultural e social das populações e o seu afastamento para zonas onde o custo de vida é mais baixo.

- Destruição de Património Edificado
O património edificado pode e deve ser adaptado a actividade turística, contudo os usos devem ser convertidos em actividades compatíveis e de elevado valor para sustentabilidade das próprias cidades e edificações.

- Os espaços florestais e agrícolas
A floresta e a agricultura são ainda vistos no melhor dos casos como as paisagens da atividade turística e poucos são os casos em que são a essencia da experiencia turística. Quem conhece o Douro sabe a insustentabilidade da demografia e cultura que pendem sobre o território e o risco de perda latente que paira neste momento sobre a região.

Como então desenvolver um turismo sustentável?
Julgo que partilhar experiências é algo que temos a obrigação de fazer.
Na minha experiência enquanto arquitecta verifico:
- Os investimentos sustentáveis ambientalmente são sempre mais rentáveis. Apostam num nicho de elevado valor e em que o preço não é o primeiro critério de escolha
- A aposta numa mobilidade verde garante uma experiência turística de maior qualidade e uma relação com o contexto social mais profícua.
- A criação de uma rede local de fornecedores aos hoteis e serviços turísticos garante uma identicade cultural e por essa via uma diferenciação do produto turístico. É uma estratégia que colmata os perigos do afastamento das populações locais.
- A aposta na valorização do património através de estratégias de reabilitação que dotem de conforto e qualidade as edificações existentes e as adaptem a realidade contemporânea.

O Porto e o Douro são oportunidades de turismo sustentável

* Mais informação sobre turismo aqui