25/04/2010

Projectos de casas ecológicas - arquitectos e mitos

Na minha vida profissional no gabinete de arquitectos da Utopia tenho verificado que alguns clientes, constructores e até profissionais têm transmitido um conjunto de mitos que não só não correspondem à verdade como prejudicam o desenvolvimento de uma arquitectura sustentável e de maior oferta por parte dos arquitectos de projectos de casas ecológicas.

Alguns desses mitos são:

- "uma casa cheia de envidraçados é sustentável" - depende se estão protegidos da radiação solar pelo exterior

- "a domótica é sustentável" - só se reduzir o consumo de energia senão é precisamente o contrário

- "os paineis solares são sustentáveis" - depende, são poluentes na produção e só devem ser aplicados no sentido de baixar o consumo e não simplesmente aumentar a produção de energia

- "fazer um poço é ecológico" - se servir para consumir mais água é também negativo

- "a arquitectura tradicional é que é sustentável" só se se tratar de recuperar edifícios


Infelizmente, muitos mais haveria para relatar. Cabe assim a cada arquitecto com consciência ecológica denunciar os mitos e defender os projectos de casas ecológicas que têm uma arquitectura sustentável na realidade.

01/04/2010

Arquitecto paisagista e os espaços verdes


Lar de Idosos Arquitecto da Utopia - arquitectura e Engenharia lda

Quer para o arquitecto paisagista, quer para o arquitecto os espaços verdes são algo de fundamental num projecto de arquitectura paisagista ou projecto de arquitectura.Contudo é preciso não esquecer que não chega ser verde, é preciso que esse espaço seja sustentável, isto é, a sua manutenção não acarrete custos adicionais.Assim, para o arquitecto algumas regras são fundamentais para incorporar nos jardins:

- Plantar especies indígenas
. aumenta a diversidade biológica
. reduz custos de manutenção com menor gasto de energia
. reduz a erosão do solo
. preserva a memória genética do local com maior resistência às intempéries
. melhora a qualidade da água dado o equilíbrio que estas espécies têm em todo o ecossistema
. revela-se desnecessária a aplicação de herbicidas ou pesticidas dada a adaptabilidade elevada das espécies
- Colocar àrvores e arbustos e não só a tradicional relva
. são barreiras ao vento e protegem a qualidade do solo
. reduzem temperaturas no verão e aumentam a temperatura no inverno
- O solo deve ser sempre revestido
. reduz a desertificação

01/03/2010

A formação ecológica do Arquitecto




Hotel desenhado de modo sustentável para Moçambique em que o arquitecto faz parte de uma equipa pluridisclinar de engenharia em debate constante

Temos falado pouco sobre o arquitecto, o engenheiro e a formação de ambos no domínio da sustentabilidade.
Infelizmente a ecologia é abordada de modo muito rápido nos programas dos cursos de arquitectura.
O resultado é simples: quando um arquitecto recém-formado se depara com um projecto de arquitectura não tem os instrumentos necessários para io fazer convenientemente. E não o tem não por culpa própria, mas sim por culpa de quem tinha responsabilidade de o fazer.
Assim, o arquitecto terá ir solicitar apoio a outros profissionais. E então vira-se para o engenheiro civil na procura de apoio. O problema surge ainda mais grave quando se depara que o mesmo sucede com o engenheiro.
Mas perguntará o leitor: E os cursos de formação para o RCCTE e outros que tais?

Na realidade os cursos de térmica são mais um conjunto de formalidades que visam certificar energeticamente o edifício quer ele esteja construído, quer seja um projecto. E a eficiência energética, como se tem visto neste blog é apenas um dos muitos factores de sustentabilidade para o arquitecto ou engenheiro.

Mas então como inverter este estado de coisas? Como pode o arquitecto e o engenheiro aumentar as usas capacidades ou competências no âmbito da ecologia e da arquitectura bioclimática?

É simples: divulgação e debate. O arquitecto e o engenheiro devem sujeitar-se ao debete dos seus projectos, explicando o que os motivou e sujeitando-se à crítica. As equipas devem ser pluridisciplinares, pois não existe uma solução única. Na ciência como na arquitectura, nada é garantido. E o que hoje é bom amanhã pode simplesmente não chegar a válido. E isso só se consegue com interacção.
Na minha actividade é isso que procuramos fazer. Cada arquitecto trabalha em cooperação cada engenheiro confrontando perspectivas na busca da solução melhor para aquele dado momento.
No meu entender esta deve ser a atitude do arquitecto e do engenheiro perante a arquitectura a engenharia e a sua formação de projecto.

09/02/2010

O arquitecto, o Lar de idosos e o Infantário


Lar de idosos dos arquitectos da utopia

Infantário dos arquitectos da utopia

Creio que é importante começarmos a discutir, não só questões técnicas ligadas à arquitectura sustentável, mas também questões ao nivel de programa, isto é, ao destino ou função a que damos os edifícios.
Desde muito que tenho lutado por novos programas sociais que possam rentabilizar recursos humanos e criar uma sociedade mais coesa e amiga do ambiente. Nesse sentido vou falar-vos de algo pelo qual tenho lutado junto das entidades sociais e promotores: a criação de programas conjuntos de lar de idosose infantário. Os idosos requerem recursos humanos como animadores sociais ou psicólogos devido à sua baixa actividade social. Se encararmos os benefícios que recreios comuns entre crianças e idosos poderiam criar veremos que um programa deste tipo poderia sem dúvida rentabilizar recursos e gerar lares de idosos com uma população mais activa fisicamente e psicologicamente, ao mesmo tempo que potenciava o desenvolvimento das crianças sustentado pela memória do passado.
Tal obviamente não significaria qu partes do lar de idosos e do infantário não tivessem um funcionamento completamente autónomo.
Continuo a lutar por esta ideia pois acredito que é possível encontrar um pormotor disponível para fundir o infantário e o lar de idosos num edifício inovador e criativo.

04/01/2010

O arquitecto e o eco-hotel ou eco-turismo


Eco-hotel desenvolvido pelos arquitectos da Utopia

Tenho recebido alguns mails na utopia com dúvidas relativamente ao programa de um eco hotel e às necessidades que este deve acomodar.
Deste modo, aqui vão alguns esclarecimentos sobre como os arquitectos devem abordar a questão.
DEFINIÇÃO
Eco hotel é um termo usado para descrever um hotel ou alojamento desenhado por um arquitecto que fez importantes melhorias ambientais na sua construção e funcionamento de modo a minimizar o impacto no ambiente. A definição básica é assim a de um hotel que serve as boas práticas ecológicas. Tem obviamente que ser certificado por uma entidade independente de eco-turismo. No caso de Portugal, temos que nos reger pelo rótulo europeu.
Tradicionalmente estes hotéis são construídos segundo os métodos de construção tradicionais aplicados por mão-de-obra e matéria prima local mas com um projecto de arquitectura e especialidades desenvolvido por um arquitecto e engenheiro com fortes preocupações ambientais. No entanto, ultimamente o eco-turismo está a estender-se até às cidades com os hotéis a adoptarem melhores práticas ambientais, podendo um arquitecto desenhar estes hotéis mesmo em ambientes urbanos.
CRITÉRIOS PARA UM ECO HOTEL OU ECO TURISMO
No entanto um eco hotel de um arquitecto deve seguir os seguintes critérios:
-dependência em relação ao ambiente rural
-sustentabilidade ecológica
-comprovada contribuição para a conservação da natureza
-fornecer actividades que promovam a natureza
-apoiar actividades culturais amigas do ambiente
-retorno económico para comunidades apoiadas na natureza
CARACTERÍSTICAS DO ECO HOTEL
- não usar detergentes mas sim desengordurantes naturais de fabrico próprio
- têxteis de 100 %algodão
- não fumadores
-fontes de energia renováveis
-produtos em unidades comuns para redução do desperdício
-iluminação eficiente
-utilização de energias renováveis para auto suficiência
-veículos de transporte verde próprios
-ventilação natural
-eficiência energética a+
-reciclagem de águas dos banhos
-construção sustentável
-certificação da eco-label do projecto de arquitectura e do funcionamento do hotel cumprindo as indicações da Unesco para o eco turismo.

Espero que assim mais arquitectos e clientes particulares se interessem pela arquitectura do eco turismo em geral e dos eco hotéis em particular.

28/12/2009

O arquitecto e o conforto térmico


Casa ecológica dos arquitectos da Utopia em que foi incorporado o conceito de conforto térmico.
Muitos arquitectos são pouco receptivos à questão da arquitectura sustentável. Alguns arquitectos são ainda menos atentos ao que ao conforto térmico diz respeito. Convém desfazer mitos da arquitectura e falar de modo simples e claro sobre este conceito.
O conforto térmico pode ser definido como a sensação de bem-estar respeitante à temperatura. Essa sensação depende do equilíbrio entre o calor produzido de modo sustentável pela construção e aquele que é apresentado pelo nosso corpo. O do nosso corpo varia com a actividade corporal.
Isto significa que a temperatura não necessita de ser igual em todos os espaços, podendo existir ligeiras variações entre as zonas de menor actividade física e as zonas de maior intensidade onde a temperatura deverá ser ligeiramente mais baixa. Obviamente deve existir um cuidado adicional na produção de calor para zonas como as salas e quartos, podendo existir uma ligeira redução nos corredores e cozinha.
Este conceito não significa que existem zonas frias na casa. O que significa é que a produção de calor pode ser intensificada nas zonas de estar dada a temperatura corporal ser aqui baixa. Ao mesmo tempo poupa-se uma energia considerável e graças ao arquitecto dá-se mais um pequeno passo na longa caminhada por uma arquitectura sustentável.

27/11/2009

Arquitectos sustentáveis em projecto de execução.


Exemplo de aplicação do conceito de luz localizada por arquitectos

O projecto de execução é uma fase fundamental para realizar uma construção verde. Sem ele não existem técnicas de construção, materiais e, no fundo, uma arquitectura amiga do ambiente.
O material mais sustentável da caixilharia é a madeira branda para um edifício de curta duração. Todavia se a duração da casa for de mais de três décadas, a caixilharia metálica com corte térmico já se afigura como melhor opção para uma arquitectura bioclimática.
Na cobertura, soluções de ajardinamento permitem não só um maior equilíbrio térmico como uma maior duração dos materiais, uma vez que se encontram protegidos.
Ao detalhar as instalações mecânicas é fundamental especificar componentes com desempenho energético de classe superior.
As instalações sanitárias deverão ser escolhidas em função do seu baixo consumo de água. e se possível com circuito autónomo de águas recicladas.
Os sistemas de ventilação deverão possuir componentes para recuperação do calor perdido. Estes dispositivos permitem recuperar cerca de 70% da energia desperdiçada numa ventilação simples para o exterior.
Os interruptores passivos accionados por infra-vermelhos têm um custo cada vez mais reduzido e o seu investimento compensa sobretudo nas zonas de atravessamento da casa, hotel ou edifício de escritórios.
Os ambientes extremamente iluminados devem ser preteridos por uma luz localizada onde é verdadeiramente necessária. Os arquitectos são essenciais na aplicação deste conceito.
Os materiais de revestimento deverão ser escolhidos também com base em critérios de proximidade, uma vez que o seu custo ambiental é normalmente superior no que ao transporte diz respeito do que em produção.