31/01/2011

Reabilitação da luz natural nos edifícios

Os espelhos da fachada reflectem a luz em profundidade no tecto.
Aqui o arquitecto coloca espelhos no tecto e o pavimento reflectante para aumentar a profundidade da luz natural reabilitando a luz!
A fachada com as lâminas reflectantes.
O exemplo do átrio do Genzime com um lanternim e espelhos no interior para distribuir a luz.

Secção do Centro Genzyme. No fundo a estratégia de reabilitação da luz é clara!
Já desde muito tempo que pretendo falar sobre a luz natural e o seu emprego pelo arquitecto, mas não tenho tido muito tempo.
Na realidade precisamos de reabilitar a luz natural e criticar severamente a utilização dos sistemas de iluminação artificial que a indústria tanto apregoa.
Por isso digo:
Como arquitectos temos de fazer a Reabilitação da luz natural dos edifícios nos novos projectos e na recuperação de edifícios.
Por isso mesmo, trago aqui exemplos que só o limite da imaginação poderá condicionar.
Ambos utilizam um conceito muito simples: com espelhos poderemos introduzir luz natural em profundidades que antes não conseguiamos. O arquitecto poderá utilizar estes esquemas em associação com tubos ou lanternins que permitem poupar uma significativa quantidade de energia e dotar os edifícios de maior profundidade, algo que incrementaria o desempenho energético dos mesmos.
Vejam em cima duas utilizações desta estratégia, as primeiras duas imagens são dos escritórios Bartenbach na Austria, e as restantes imagens são do Centro Genzyme em Cambridge.
Cada arquitecto não tem mais desculpas para utilizar os focos da moda apenas por razões estáticas.
Os arquitectos juntos poderão reabilitar a luz natural!

30/12/2010

Arquitectura Reciclada

Existem arquitectos que lutam por uma arquitectura verde e que ainda são capazes de nos mobilizar!
A arquitectura também pode ser reciclada!
Senão vejamos estas imagens de uma conferência a que assisti recentemente.




Os arquitectos da Utopia mostraram o Anfitiatro de arles na Idade Média e na actualidade com o projecto de recuperação e sua reciclagem em praça de touros.




O arquitecto Ricardo cruz mostrou também a cidade de Split enquanto palácio que foi reciclado em cidade.
Creio que de vez em quando é também importante que os arquitectos olhem o passado e aprendam com ele no sentido de criar uma arquitectura e cidade mais sustentáveis.
No mês passado tive a oportunidade de assistir a uma conferência promovida pelo espaço de arquitectura na Exponor, na cidade do Porto, na qual a Utopia - Arquitectos participou através do arquitecto Ricardo Cruz. Para além do interesse geral que os outros debates tiveram, este despertou-me especial interesse pois o tema da conferência do arquitecto era precisamente a reciclagem urbana.
Do ponto de vista do arquitecto a reciclagem é um processo comum na História da arquitectura, e apenas temos de aprender com ela. Mostrou a cidade de Split, o anfiteatro de Arles e outros exelentes exemplos! A forma e o material reciclam-se e surgem novas funções: Um anfiteatro pode ser cidade, praça de touros, etc...Um palácio pode ser uma cidade. Uma basílica pode ser uma igreja.. Algumas imagens da conferência ou mesmo o conteúdo desta podem ser solicitados neste endereço : Arquitectos da Utopia. É bom verificar que os mesmos princípios que se aplicam a uma embalagem podem ser aplicados a um edifício e que existem arquitectos a publicar trabalhos sobre isso.

Um bom ano para todos e que 2011 nos traga ainda mais arquitectos e arquitecturas recicladas!

30/11/2010

Arquitecto e poluição luminosa


O arquitecto deve denunciar e combater a poluição luminosa através de projectos de arquitectura e urbanismo mais sustentáveis!
A poluição luminosa é o resultado do desperdício de luz nocturna.
À noite, nos espaços iluminados, as estrelas não são perceptíveis.
Isso resulta da iluminação artificial, utilizada frequentemente de forma incorrecta e que gera uma nova forma de poluição: a poluição luminosa.
Em fortemente iluminados o céu fica coberto por uma enorme bola luminosa, que nos impede de ver nitidamente as estrelas.
Alguns animais vêm mesmo alterado o seu hatitat como consequência deste processo.
Cabe a cada arquitecto defender uma iluminação mais racional e a redução deste processo nefasto.
Pois na realidade, por detrás desses holofotes desnecessários, existe todo um universo para descobrir...

25/10/2010

Arquitecto e poupança energética




Acho que podemos falar ainda mais sobre soluções de poupança de energia. O arquitecto tem a função não só de desenvolver espaços de arquitectura sustentável moderna e inovadora mas também de aconselhar sobre a melhoria do desempenho de edificios e construções existentes. Como arquitecta verifico que as pessoas ainda desconhecem ferramentas simples como os temporizadores que permitem uma enorme poupança nos gastos de energia e são de baixo custo.
Assim podemos agendar o aquecimento para determinadas horas em que vamos utilizar, a lavagem de roupa e de loiça para o período nocturno, a iluminação nocturna desligar-se ao fim de determinados minutos, o termoacumulador ( cilindro) não trabalhar durante as horas em que não necessitamos de água quente, etc...
No fundo, os arquitectos em geral e cada arquitecto em particular tem a obrigação de divulgar estes aparelhos milagrosos que muito podem fazer pela arquitectura sustentável e pelo nosso ambiente. Ficam aqui os exemplos, mas é bom que todos saibam que existem muitas marcas e que todas elas têm pequenas vantagens e desvantagems. Mas haverá algo melhor para a arquitectura sustentável e para o ambiente que poder reduzir a nossa factura de electricidade em cerca de 30% ?

18/09/2010

Arquitecto sustentável e o Mundo Digital


Infelizmente por cada click que fazemos, neste ou em qualquer outro site, há, para além do gasto de energia do nosso computador, um datacenter algures a processar a nossa informação e a consequentemente consumir energia.

Como podemos então defender a arquitectura sustentável no mundo digital?

Recentemente reparei que existia algum desconhecimento relativamente ao impacto do mundo digital no ambiente mesmo no seio de arquitectos.
Primeiro convém salientar vários aspectos:
  1. O arquitecto que usa o computador poupa papel e ao poupar papel pupa a floresta e o ambiente.
  2. Os arquitectos ou os gabinetes de arquitectura que usam indiscriminadamente o computador e os recursos a eles associados não podem de maneira nenhuma defender um mundo sustentável.
O primeiro aspecto parece claro. Poupar papel ou poupar a impressão é altamente vantajoso para o ambiente. Mas quanto ao segundo acho que devemos perder mais tempo e analisar as consequências negativas:
  • Renovar o hardware dos ateliers com fontes de alimentação mais potentes é gastar mais energia e consequentemente mau. Renovar o hardware com fontes mais eficientes, talvez possa ser uma escolha bastante melhor.
  • Renovar o hardware por razões de software é péssimo. Os computadores com 7 ou 8 anos conseguem executar perfeitamente as tarefas de hoje nos gabinetes de arquitectura desde que devidamente configurados. (Vejam o meu post sobre linux) O hardware é altamente poluente durante a produção, evitar o seu consumo é proteger o ambiente.
  • Utlizar software que evite o uso de servidor é sem dúvida melhor para o ambiente. Neste acto podemos incluir o uso de sites estáticos, ao invés de sites dinâmicos, e executar os progragas no disco local ao invés de sobrecarregar o servidor. O gasto de energia e o volume de CO2 libertado é consequentemente menor
Bom, se tiverem questões podem escrever-me as vossas súvidas para o gabinete de arquitectos onde trabalho habitualmente, pois terei o maior prazer em as esclarecer.
Até lá continuem a defender o ambiente e uma nova arquitectura sustentável!

10/08/2010

O arquitecto e a escolha das árvores


O amieiro no Inverno não apresenta folhas.



O amieiro no Verão está com uma copa recheada de folhas produzindo uma importante zona de sombra

Um aspecto que é muitas vezes desprezado ou ignorado pelos arquitectos é a escolha das espécies que se vão colocar nos espaços exteriores da casa ou edifício.
Assim, para além dos critérios importantes que devemos ter no que diz respeito à escolha de árvores autóctones, isto é, árvores cuja adaptação está salvaguardada, devemos também pensar que a árvore pode ser um importante elemento que absorve a radiação solar e impede que a casa ou edifício aqueça em demasia no verão e possa arrefecer em excesso no inverno.
Mas como pode o arquitecto usar as árvores para aquecer a casa no inverno e arrefecê-la no Verão?
Simples, muito simples mesmo. Mais simples, mais barato e mais ecológico do que usar qualquer tipo de climatização. A resposta está nas Árvores Caducifólicas. As árvores caducifólicas são árvores que têm a particularidade de possuir folhas caducas. Ao contrário das árvores de folha perene, as caducifólicas perdem as folhas no Inverno e voltam a ganha-las no Verão.
Assim, se as colocarmos à frente das nossas janelas, temos a possibilidade de receber a radiação solar que nos aquece a casa no Inverno e, uma vez que as folhas estão presentes no Verão podemos arrefecer a casa com a deliciosa sombra que estas produzem no Verão. Se acrescentarmos a libertação de vapor conseguimos também uma maior inércia térmica, isto é uma menor variação de temperatura nas fachadas da casa.
O arquitecto tem assim a obrigação e a facilidade em propor soluções de baixo custo económico e ambiental aos seus clientes.
Não faltam arvores caducifólicas em todo o mundo: Portugal, Angola, Brazil, Moçambique, Cabo Verde,etc... É só olhar com cuidado e escolher espécies já adaptadas. Eu mostro aqui um exemplo: o caso do amieiro porque é uma árvore extraordinária e ambundante em Portugal. Mas há mais, muitas mais!

11/07/2010

Arquitectos fazem mais do que projectos de arquitectura!

Creio que é importante falar do papel dos arquitectos no desenvolvimento de uma arquitectura sustentável não só ao nível da elaboração de projectos de arquitectura.
Por isso digo a qualquer arquitecto com quem tenho o prazer de trabalhar no nosso gabinete de arquitectos:
NÃO É SÓ COM PROJECTOS QUE OS ARQUITECTOS LUTAM PELA ARQUITECTURA SUSTENTÁVEL!
Senão vejamos:
O que custa aconselhar as protecções exteriores, os métodos de poupança de água e energia eléctrica em habitações já construídas?
O que não significa apelarmos a todos os nossos amigos e familiares sobre a facilidade de incorporar métodos de poupança ambiental nas suas casas e assim transformar cada casa numa casa mais ecológica?
Quantos de nós arquitectos não temos acesso a meios de comunicação social e podemos daí apelar a uma arquitectura sustentável?
O quanto não significa demonstrarmos com o nosso exemplo que evitamos o elevador, o carro, os produtos não recicláveis, o gasto excessivo de energia, de água, de recursos ambientais?
Com o exemplo conseguimos criar um exército de activistas que geram uma consciência global!
Deste modo, juntos, somos muitos!
E já agora boas férias a todos !