07/09/2022

Construção Sustentável - O que é? Como fazer?

 

Hoje as alterações climáticas são já um tema de amplo consenso. A forma como utilizamos os recursos naturais é objeto de um outro grau de escrutínio. Para responder a este problema, arquitetos de todo o mundo começaram a identificar todos os processos construtivos que garantiam um baixa pegada ecológica. Nascia assim a construção sustentável.

 

Porue precisamos de uma construção sustentável?

 Segundo a OCDE , Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, mais de 40% do consumo energético dos países resulta da utilização dos edifícios. Se queremos mesmo alterar o caminho que nos levou às alterações climáticas, precisamos de uma construção sustentável.


O que é a construção sustentável?

Chama-se construção sustentável a todos os sistemas construtivos ou soluções para a construção de edifícios que permitem um baixo consumo de recursos energéticos e um baixo impacto no meio ambiente.

Para selecionarmos um processo construtivo sustentável temos de procurar as seguintes características no seu desenvolvimento:

- A construção tem de ser necessária para um fim útil ao meio ambiente

- Os recursos energéticos a implementar deverão ser mínimos

- Os impactos gerados pelos materiais e processos no ambiente têm de ser reduzidos


Como posso saber se uma construção é sustentável?

Para avaliarmos se uma construção é amiga do ambiente temos de analisar os seguintes momentos: conceção, construção, utilização e manutenção e por fim no desmantelamento do edifício.

Durante a concepção são empregues recursos energéticos para estudar, analisar e determinar todos os processos de construção. Ao mesmo tempo são utilizados recursos energéticos crescentes para licenciar os projetos junto de todas as entidades públicas. Há um longo caminho a fazer para poupar recursos neste ambito.

No decorrer da construção são usados materiais que consumiram recursos na sua produção, no seu transporte e na sua instalação. Reduzir gastos energéticos ou impactos nocivos ao ambiente em qualquer destes momentos é essencial.

Ao longo da vida de um edifício utilizamos recursos na utilização e manutenção das construções. Projetar tendo em conta os modos mais eficientes de utilizar os edifícios e os manter é essencial. Ao mesmo tempo precisamos de introduzir na sociedade o conceito de uso responsável.

Um aspeto frequentemente esquecido é o desmantelamento de edifícios ou parte destes. O desmantelar de edifícios consome elevados recursos energéticos frequentemente. Ao mesmo tempo é também comum encontrarmos materiais cuja degradação é nociva para o ambiente.


Como então fazer as construções mais sustentáveis?

Não existe uma receita simples para tornar todas as construções sustentáveis. O que sabemos é que há um conjunto de processos que se enquadram na redução de gastos energéticos e menores emissões de gases com efeito de estufa.

Podemos listar alguns destes processos aqui:

- Reciclar, reutilizar e recuperar edifícios 

Este é um dos caminhos mais simples. Por vezes com pequenas alterações ou mesmo só mudando a utilização podemos ter um edifício disponível. É como se eliminássemos imediatamente os custos de construção e de

- Utilizar materiais biodegradáveis

Utilizar materiais naturais como a madeira que é biodegradável é um modo eficaz de reduzir os custos com o desmantelamento de edifícios

- Uso responsável

Utilizadores de edifícios responsáveis sobem a temperatura maxima dos edifícios no verão e reduzem no inverno. Geram também menos consumos durante a tulização do edifício e poupam nos gastos de manutenção.

- Soluções duráveis

Existem soluções construtivas que duraram milénios. É conveniente não as desperdiçar hoje pois podem ser aproveitadas. Os custos com a manutenção baixam para valores insignificantes.

- Sistemas passivos

Uma casa passiva produz um edifício com consumo quase nulo de energia. A sua implementação é essencial nas construções novas ( Near Zero Energy Building NZEB) 

- Técnicas e materiais locais

Segundo a OCDE o transporte está a par com os edifícios enqunto consumo energético. Se reduzirmos os transportes de materiais e equipamentos temos não só a salvaguarda de culturas como impactos reduzidos no ambiente.

- Tecnologia para reduzir consumo de água

A implementação de controlos de gastos de água pode reduzir mais de 30% o consumo dos edifícios. Torneiras adaptadas, circuitos duplos ou reutilização de água da chuva são alguns exemplos desta estratégia.  


A construção Sustentável é cara?

Não. Quando comparada com a construção tradicional, e segundo a própria OCDE, os edifícios NZEB são mais caros inicialmente mas a médio prazo tornam-se mais económicos. Estima-se que em 15 anos o investimento inicial em eficiência e fontes de energia renováveis está totalmente recuperado.

Ainda vamos a tempo!


02/11/2021

Ecologia e Domótica

O que é a Domótica?

A domótica é simplesmente o campo de saber que agrega todas as tecnologias de gestão dos automatismos de uma casa. No fundo é o sistema que gere os equipamentos presentes na nossa habitação e os torna automáticos de algum modo.

O que é uma casa inteligente?

A automação residencial, classifica-se enquanto o conjunto de tecnologias que visam a automação de residências, buscando não só o conforto das pessoas que as habitam, como também a otimização da referida gestão energética, o aumento da segurança, e a conquista de comunicações mais eficientes.
O desenvolvimento da domótica tem sido constante, principalmente nos últimos anos, graças em grande parte ao surgimento de tecnologias como a Internet das Coisas ("Internet of things" IoT), pois tem fornecido a muitos dispositivos e sensores a capacidade de se comunicarem entre si e com o usuário. Desta modo, qualquer pessoa já está em condições de operar os diferentes aparelhos elétricos desde o seu telefone móvel, independentemente de onde estiver localizada.
No fundo, as casas quando se tornam automáticas, nós dizemos que estamos em presença de uma casa inteligente.

A domótica pode contribuir para mitigar as alterações climáticas?

A verdade é que sim.  De facto, um termostato inteligente tem influências nas mudanças climáticas.
A  automação residencial e a transição ecológica caminham juntas. Em última análise, a capacidade de converter as nossas casas em casas com eficiência energética terá um impacto positivo no meio ambiente, pois a poluição diminuirá.

Vantagens das casas inteligentes no meio ambiente

A tendência é que os sistemas de controle e automação continuem a colonizar as residências em todo o mundo, transformando-as em verdadeiras casas inteligentes. O resultado será um uso mais racional e eficiente da energia usada para ar condicionado no verão e no inverno, o que por sua vez levará a menos desperdício e, portanto, uma diminuição da poluição. Se a isso se soma o uso crescente de fontes renováveis ​​de energia, parece claro qual é o caminho que deve ser trilhado para enfrentar as mudanças climáticas em que estamos imersos.
As tecnologias incorporadas nas casas inteligentes não só ajudarão a controlar o aquecimento e o ar condicionado de maneira mais eficiente, graças aos termostatos inteligentes mencionados, mas irão mais além: 

- as janelas sabem quanta luz vão deixar passar dependendo do interior e do exterior 

- há sensores que aumentam ou diminuem as persianas em função das necessidades do habitante e da luz necessária; 

- é usada a água quente realmente necessária, por exemplo, atingindo a temperatura certa na hora do banho (não desperdiçando litros e litros esperando que ela aqueça o suficiente)

- os aparelhos elétricos são colocados em funcionamento aproveitando os momentos do dia em que a conta de luz é mais baixa

- enfim, uma longa lista de benefícios para o ambiente.

Poderão as cidades inteligentes ser ecológicas?

A domótica presente numa casa inteligente através da automação residencial é portanto um pilar fundamental para tornar as nossas habitações e cidades mais sustentáveis. E é justamente essa sustentabilidade, aliada à eficiência, que possibilitará a casa do futuro, ecológica e capaz de reduzir as emissões de CO2. Uma casa com ótimos padrões de eficiência pode ter um consumo de energia 80% inferior ao das casas tradicionais, alcançando também uma redução de 40% no consumo de água. Isto são valor que multiplicados pelo número de agregados familiares produzirão um enorme efeito a nível global.

A domótica e a eficiência energética

Neste momento as directivas para a eficiencia e
nergética
que observamos no atelier de arquitectura Utopia já incluem a introdução da domótica enquanto estratégia para reduzir os consumos de energia.


Casa Passiva com sistema de domótica- Utopia Arquitectos

No fundo a ecologia será cada vez mais digital, e ultrapassados todos os riscos que ainda existem ao nível da segurança de sistemas informáticos, as casas poderão mesmo trabalhar em rede umas com as outras, tentando ajustar os picos de consumo energético com a rede fornecedora. A casa poderá assim alertar o utilizador para melhorar determinados comportamentos, uma vez que tudo pode ficar calculado. Existe assim todo um manancial de possibilidades em que todos poderemos contribuir. 


28/12/2020

Uma horta dentro de casa

Sim é possível ter uma horta dentro de casa mesmo que nunca se tenha dado a grande trabalho. Não será certamente por motivo económico, mas antes por puro prazer. É perfeitamente possível cultivar ervas aromáticas ou legumes como alfaces ou tomates. Pode de facto ter o seu "hortim" ( horta com jardim) sem grandes custos ou esforço.

E pode fazer em qualquer espaço, até num apartamento. Varandas ou peitoris de janelas são aquilo que precisa. Caso tenha um jardim ou quintal aí os limites são nulos.

Fica aqui uma lista das plantas disponíveis mais facilmente e quais os cuidados a ter conforme o local da casa. 



Varandas, terraços e jardins

Caso tenha espaço ao ar livre escolha as espécies que apreciam o sol:

.pepinos

-tomates

-morangos

-courgettes 

Caso tenha zonas mais sombreadas prefira estas plantas:

-alfaces

-acelgas

-rabanetes

-alho-francês


Época ideal para começar a plantar em casa

Aqui é preciso ter mais cuidado. Se falamos de alfaces pode ser todo o ano, outras como as courgettes tem de ser na primavera.


As janelas e as plantas

Para aqueles que só têm janelas as hipóteses de plantar não desaparecem, bem pelo contrário, são imensas. Estas preferem terra:

-salsa

-coentros

Estas ervas aromáticas são a melhor opção pois crescem em água. É assim facílimo plantar em pequenos vasos com água estas espécies: 

-menta

-oregãos

-salvia

-stevia

-verbena

-estragão

-tomilho 

-manjericão


Sim, agora não há desculpas! Todos podem ter um jardim de inverno. Toca a plantar e desfrutar de um ambiente melhor dentro de casa!

22/04/2020

A arquitectura saudável - Ventilação passiva

Toda a arquitetura sustentável é pela sua própria natureza saudável. Contudo podemos distinguir aspetos os estratégias que permitem gerar um ambiente mais higiénico e consequentemente reduzir a probabilidade de ocorrência de doenças ou epidemias.


A qualidade do Ar
Nestes tempos de pandemia de covid 19 é mais importante do que nunca falar dos sistemas que permitem a baixo custo melhorar a qualidade do ar interior de uma casa ou edifício. O principal elemento é sem dúvida a renovação do ar que permite a eliminação de partículas nocivas ou tóxicas no interior da habitação.

A ventilação passiva
A ventilação pode ser efetuada sem recurso a equipamentos mecânicos. Neste caso não tem gastos energéticos e é portanto mais amiga do ambiente. Ao mesmo tempo não há condutas, filtros ou elementos adicionais para limpar, reduzindo-se assim a possibilidade de ocorrência de doenças como a legionella ou alergias de ácaros. A ventilação passiva é assim o sistema mais saudável e sustentável que a arquitectura tem ao nosso dispor. Um dos sistemas de ventilação passiva mais eficazes e fáceis de implementar é a ventilação transversal.

A convecção 
A convecção é o processo físico que a arquitetura sustentável usa para fazer a ventilação passiva  transversal. O ar é constituído por moléculas de diferentes tipos. As mais pesadas descem por gravidade e as mais leves sobem. O ar quente tem moléculas em movimento e consequentemente ocupam mais espaço. se ocupam mais espaço são obviamente menos densas e portanto mais leves. Se são mais leves sobem. Isto é o fenómeno de convecção.

A ventilação transversal
Quando temos duas fachadas disponíveis num edifício, temos exposições solares distintas. Como tal, as temperaturas exteriores das fachadas vão ser diferentes. Assim, o arque está junto a estas fachas tem também temperaturas distintas. Torna-se assim claro o fenómeno que é popularmente conhecido como corrente de ar. Ele ocorre porque duas janelas abertas em fachadas distintas fazem com que massas de ar quente e ar frio se desloquem de modo a ocupar as posições de acordo com a sua densidade. Ou seja, movimentam-se de acordo com o princípio da convecção. Ora este é um processo extraordinariamente eficaz para efectuar a renovação do ar.

Ventilação transversal por convecção


Exemplo de arquitectura saudável com ventilação transversal 
O sanatório de Paimio, na Finlândia, desenhado por Alvar Aalto no século passado é um exemplo extraordinário da utilização da convecção e da ventilação transversal de modo a efectuar a renovação do ar interior. A baixa profundidade entre fachadas acentua enormemente este efeito e torna a renovação do ar um processo confortável e eficaz neste imóvel destinado ao tratamento da tuberculose.

Sanatório de Paimio na Finlândia - Arquitectura saudável

05/08/2019

Climatização Ecológica

Nos últimos anos tem havido um crescente exagero na utilização dos sistemas mecanizados de renovação de ar e climatização. Por um lado foi introduzida legislação que obriga as casas e equipamentos a renovar o ar de modo mecânico contrariando os princípios mais elementares de redução da nossa pegada ecológica. Por outro lado tem havido uma crescente pressão para a utilização de sistemas de arrefecimento através de equipamentos seja por imperativos legais, seja pelo desconhecimento de sistemas alternativos.

Climatização ecológica com arrefecimento passivo
Ora, é precisamente do desconhecimento que pretendo falar. Na realidade, os arquitectos, os engenherios e os legisladores desconhecem as possibilidades alternativas no que diz respeito à climatização passiva. 
Ora é perfeitamente possivel criarmos zonas de fachada com zonas de sobreamento e consequentemente protegidas da radiação solar. Essas zonas sombreadas vão possuir temperaturas inferiores. Se estas estiverem em contacto com o interior e o interior possuir pequenas aberturas na fachada oposta, desencadeia-se uma corrente de ar que permite o arrefecimento. O ar destas zonas mais frias é assim introduzido dentro o edifício. Esta técnica é conhecida desde os anos 30 e foi executada em inúmeros edifícios por arquitectos portugueses em Africa, local onde os recursos financeiros eram reduzidos mas onde o conforto era uma prioridade.

O exemplo da arquitectura portuguesa dos anos 60
O arquitecto Francisco Castro Rodrigues é um exemplo extraordinário da implementação de uma climatização ecológica. Analisemos o caso do Liceu do Lobito. Aqui a fachada sombreada cria zonas de baixa temperatura e diferente pressão que permitem arrefecer a escola. A ventilação transversal faz o resto do trabalho de renovação de ar. Nenhum sistema ou equipamento mecanico é utilizado. Apenas o engenho de com poucos recursos, climatizar o edifício. è preciso seguir os exemplo do tempo em que a ecologia não era um luxo mas uma necessidade financeira e técnica. Estas lições não se podem perder. 

 Liceu no Lobito - Fachada com palas horizontais
Arquitecto Francisco Castro Guedes - Liceu no Lobito

 Liceu no Lobito - Fachada sombreada
Climatização ecológica - Liceu no Lobito
Ventilação transversal ecológica do Liceu do Lobito

27/03/2019

Coliving e Coworking


O que é o coliving e o coworking


Para entendermos bem o que é o coliving e o coworking temos de ir por partes pois o seu impacto na arquitectura sustentável é extremamente elevado. Julgo que é chegada a altura de falar um pouco sobre algo que promete transformar as nossas cidades e sociedades nas próximas décadas.
O coliving e o coworking é uma forma nova de nos relacionarmos entre todos e um novo modo de organizarmos os espaços. Nasce com a economia partilhada e o seu impacto económico, social, político e ambiental será enorme.

A economia partilhada enquanto berço do coliving e coworking


As recentes alterações sociais abriram caminho a novos conceitos de habitar as cidades e os espaços. O contexto onde tudo começa é de facto a economia partilhada. Para aqueles que não sabem a economia partilhada surge mais intensamente com o aparecimento da internet e a sua generalização. Com a rede global começaram a surgir as primeiras plataformas de partilha, inicialmente de cariz alegadamente social e mais tarde transformam-se em grandes fontes de lucros. Recordo o conceito de couchsurfing onde a airbnb nasce. Na realidade, as pessoas habituaram-se a partilhar, a vender usado, a reutilizar os seus produtos colocando-os novamente no mercado.
Com estes processos a decorrer a sociedade passou a achar normal receber um estranho em casa, fazer disso fonte de rendimento e inclusivamente viajar e ficar em casa de alguém desconhecido simplesmente para baixar o custo da viagem ou conhecer experiências autênticas. No fundo a partir de agora toda a sociedade passa a conviver bem com a ideia de estar num espaço privado em conjunto com outras pessoas que não fazem parte do nosso circulo de conhecidos.

Coliving
O coliving é o acto de viver partilhando um espaço. Surgiram assim recentemente novos espaços, por vezes adaptados de edifícios existentes que oferecem estadia aos seus clientes ou utilizadores partilhando as zonas comuns. No fundo o cliente ou utilizador partilha as salas e cozinhas e o seu espaço privado resume-se ao quarto. Este conceito deixou de ser um explusivo do turismo e passou a ser usado para vida do dia-a-dia.

Coworking
O coworking é uma forma imediata de aplicar o conceito de espaço partilhado aos serviços. No fundo as gerações mais novas, e os mais empreendedores em particular começaram a preferir alugar espaços em conjunto para trabalhar. Ora, aquilo que nascia como um recurso para poupar custos de renda rapidamente se tornou num produto procurado. Vários trabalhadores independentes e empreendedores preferiam trabalhar em escritórios onde podem trocar ideias e partilhar soluções. O coworking passa assim a ser um produto procurado. O utilizador paga uma infraestrutura e acede à partilha do espaço com outros utilizadores.

Cohousing
O cohousing é a institucionalização do coliving. Surgem edifícios exclusivamente destinados à habitação já com o propósito de partilha dos espaços comuns. Surgem assim adaptações para residências de estudantes ( destinadas ao segmento universitário), residências seniors ( destinadas aos mais idosos) , residências assistidas ( destinadas aos mais velhos com necessidade de cuidados especiais), entre outros.

Consequências do coliving e coworking


É chegada a altura de verificar então que consequências podemos esperar a nível social, urbanístico, político e ambiental.
Sociedade
O coliving é no fundo a demonstração que a sociedade de hoje é bastante mais complexa. A família deixou de ser o único modo de organização do espaço da habitação. Se a revolução industrial alterou a relação do trabalho e a família, a economia partilhada alterou assim a relação entre família e habitação.

Urbanismo
As nossas cidades eram constituídas por unidades familiares: a casa, o apartamento, o prédio de apartamentos, os bairros de casas. Sobre esse tecido erguiam-se edifícios colectivos e singulares: o palácio, o hospital, o museu, a igreja, o tribunal. com o coliving a habitação evoluirá para edifícios cada vez mais complexos que englobam a partilha dos espaços. A cidade torna-se mais complexa e multifacetada. Com o coworking os espaços de trabalho vão tornar-se colectivos no uso.

Política
Algumas tensões poderão surgir. Se por um lado os promotores do coliving e do coworking foram entidades privadas, rapidamente os estados começaram a intervir e a promover os seus próprios espaços de coliving e coworking. Isso significa que um novo campo de batalha política surgirá entre senhorios e arrendatários e com os estados à mistura. Será uma batalha em tudo idêntica ao que se passa hoje no mercado de arrendamento entre fundos, private equities, empresas particulares e estados... Simplesmente a batalha desloca-se da casa para o cohousing.

Ambiente
Para o ambiente o coliving e o coworking é uma oportunidade enorme para construir uma arquitectura mais sustentável. Partilhar espaços significa que podemos ter custos muito mais reduzidos na construção, manutenção e utilização dos locais. E custos energéticos reduzidos são também bons para o ambiente. Se a economia partilhada de objectos permitiu prolongar a vida dos objectos mantendo-os no mercado de consumo sem serem produzidos novos ou enviados para o lixo, gerando assim consideráveis melhorias ambientais, podemos dizer que o coliving e o coworking possibilitarão enormes poupanças ambientais na exacta medida em que pouparemos também recursos do nosso planeta.

A oportunidade para a arquitectura sustentável


É importante que os arquitectos tomem consciência destes processos e no fundo aproveitem para desenvolver projectos que possam:
- gerar retorno aos investidores, sejam eles públicos ou privados
- criar espaços de qualidade promotores de conforto para todos
- poupar recursos ambientais através das novas economias de escala dos espaços




Projecto Urbanístico com Coliving, Coworking e Cohousing





10/08/2018

Plantas para purificar o ar interior de casa

A qualidade do ar que respiramos é algo de extrema importância para mantermos um estilo de vida saudável. Se é certo que a arquitectura tem um papel fundamental na escolha dos materiais e no modo de efectuar a renovação de ar, é também fundamental entender que está ao nosso dispor a possibilidade de purificar o ar através da utilização de plantas.

O que é a má qualidade do ar?
A má qualidade do ar resulta essencialmente de partículas em suspensão que se acumulam na nossa casa e que são no fundo prejudiciais ao nosso sistema respiratório em particular. Alguns microorganismos nocivos à nossa saúde podem também sobreviver em ambientes com baixa iluminação e elevada humidade.

De onde vem a má qualidade do ar interior?
A má qualidade do ar interior provém maioritariamente de agentes externos como os escapes dos automóveis, chaminés externas, poeiras de construção, etc... Contudo os materiais que revestem o interior da habitação podem eles também possuir propriedades que os levam a libertar partículas nocivas para a nossa saúde.
Os arquitetos devem ter noção que algumas fontes são particularmente nocivas:
- fibras de amianto ( produto cancerígeno)
- vapor de formaldeído
- compostos orgânicos voláteis
- fumo de tabaco ou cinzas
- gás radão ( libertado pelo granito )
- polímeros degradados ( plásticos ressequidos)
- pinturas não biodegradáveis
-deficiente manutenção dos aparelhos de climatização como o ar condicionado ou condutas de ventilação
Convém salientar que o uso intensivo da abrasão sobre vários materiais pode também causar maior proliferação de poeiras e partículas.

Como purificar o ar interior?
O ar interior pode ser purificado de diversas formas:
- Sempre que a qualidade do ar exterior o permitir a ventilação natural deve ser a opção por ser a solução mais sustentável.
- Eliminar a fonte poluente interior, removendo o material ou o equipamento.
- Revestir o material que emite as partículas. Tapar as fendas do granito, reduzindo a superfície em contacto directo com o ar reduz a exposição a este agente.
- Por fim, utilizar as plantas enquanto agente purificador.

Que plantas podemos utilizar para purificar o ar?
De acordo com uma publicação da NASA, Interior Landscape Plans for Indoor Air Pollution Abatement , publicação de 1989, são várias as espécies que podemos utilizar de acordo com a estratégia que pretendemos. Vejamos em seguida quais as mais indicadas para cada grupo de poluentes.


Plantas para eliminar o xileno e o formaldeído

Para eliminar o forlamdeído ou metanal ( presente em alguns papeis e que causa irritação nas fossas nasais) ou o xileno ( presente nos derivados do petróleo como a borracha e que pode causar tonturas e problemas cardio respirtatórios) estas são as plantas mais aconselhadas:


-  Nephrolepis exaltata, conhecida como Samambaia americana, herbácea rizomatosa com folíolos longos e rectilineos
Nephrolepis exaltata

- Nephrolepis obliterata, outra herbáce rizomatosa com folíolos mais verticais 

Nephrolepis obliterata


- Phoenix roebelenii  também conhecida como Tamareira-anã , palmeira anã, tamareira de jardim ou Palmeira-fénix.


Phoenix roebelenii 


- Chlorophytum comosum conhecido como Clorofito

Chlorophytum


- Chamaedorea seifrizii, também chamada de Palmeira bambu ou Palma bambu

Chamaedorea seifrizii

- Ficus benjamina que é também reconhecida como Figueira Benjamim 


Ficus benjamina


- Spathiphyllum mauna loa também chamado de Lírio da paz ( mais indicado para o xileno)


Spathiphyllum


- Chrysanthemum morifolium também conhecido como Crisântemo  ( também mais adequado para remover o xileno)



Chrysanthemum morifolium


Plantas para eliminar o benzeno

Para eliminar o benzeno que é encontrado nos plásticos, no fumo do tabaco, nos detergentes, nas colas, nas tintas e nas ceras temos disponível outra família de plantas:


- Aglaonema modestum chamada de aglaonema



Aglaonema modestum



- Epipremnum aureum ou melhor conhecida como Jiboia ou hera-do-diabo



Epipremnum aureum

Mais eficaz para remover o amoníaco temos um novo conjunto de plantas. O amoníaco é tóxico e está presente em limpa vidros, adubos, ceras e alguns sais perfumados.




- Anthurium andraeanum reconhecido como Antúrio

Anthurium andraeanum


- Rhapis excelsa chamada de Palmeira-ráfis ou Palmeira-dama 


Rhapis excelsa


Plantas para eliminar o tricloroetileno

Para eliminar o tricloroetileno, estas são as plantas mais indicadas. A exposição excessiva ao tricloroetileno pode causar tonturas náuseas e vómitos. O tricloroetileno está presente em solventes e decapantes, aparecendo em produtos químicos como detergentes.


- Liriope spicata conhecida como Liriope

Liriope spicata

- Gerbera jamesonii chamada de Gerbera ou Margarida do Transval

Gerbera jamesonii

- Dracaena fragrans conhecida como massangeana

Dracaena fragrans


- Dracaena marginata chamada de Dragoeiro de Madagáscar

Dracaena marginata


- Sansevieria trifasciata laurentii chamada de Espada-de-são-jorge, Espada-de-santa-bárbara 



Sansevieria trifasciata laurentii


- Hedera hélix chamada Hera com flor

Hedera hélix

A importância das plantas de jardim interior na arquitectura

Torna-se assim evidente o papel que as plantas podem ter na purificação do ar. Cabe-nos a todos pensar em estruturas que permitam incorporar estes jardins interiores de modo a tirar partido destes processos fisiológicos que nos são benéficos. Os jardins interiores de inverno ou os jardins verticais são assim espaços fundamentais a incorporar pelos arquitectos nos projectos de arquitectura.